Publicado em 19 de maio de 2009
Em reunião de quase quatro horas realizada na noite de segunda-feira, dia 18, no Rio de Janeiro, a diretoria da EBC - Empresa Brasil de Comunicação, gestora da TV Brasil, apresentou a 34 dirigentes de entidades representativas do segmento audiovisual brasileiro as novas diretrizes de relacionamento com a produção independente, com vistas à composição da grade de programação da TV Pública. Uma das mudanças será a seleção de programas e conteúdos através de concursos, ou Pitchings. Outra, a constituição de um banco público de conteúdos de terceiro tais como filmes, documentários, séries e animações, para exibição.
A diretora-presidente da EBC, Tereza Cruvinel, apresentou um histórico da criação da empresa e da implantação da TV Pública brasileira a partir da edição da medida provisória 398, pelo Congresso Nacional, no final de 2007. Tereza salientou a necessidade de construir instrumentos jurídicos e administrativos que permitam à TV Pública produzir e contratar produções com agilidade, preservando a legalidade e a obediência aos regramentos.
Conseguimos vencer alguns obstáculos e demonstrar aos órgaos competentes a necessidade de dispormos de instrumentos com a Norma de Concursos Audiovisuais, que nos permitirá realizar Pitchings. Estamos trabalhando em outra formulação desta natureza, para garantir lógica pública à escolha dos títulos a serem licenciados para exibição
Tereza Cruvinel.
O diretor-geral da EBC , Paulo Rufino, falou sobre a nova etapa de relacionamento com a produção independente. O superintendente de Programação da TV Brasil, Roberto Faustino, falou sobre a nova gestão da grade de programação que está implantando, buscando adequar melhor os conteúdos às faixas horárias em busca do melhor desempenho de audiência, sem abdicar da natureza diferenciada dos conteúdos de uma TV Pública.
O diretor de Rede, José Roberto Garcez, destacou os programas de natureza regional que estão sendo negociados com as 24 emissoras estaduais associadas à Rede Pública de Televisão, liderada pela TV Brasil. E o presidente da ACERP, Arnaldo Cézar Jacob, ressaltou o papel auxiliar da Organização Social que dirigia a antiga TVE. Para manter o canal de diálogo com as entidades da produção audiovisual, foi acertada a realização periódica de reuniões com o setor.
A nova política que vamos adotar garantirá um relacionamento mais orgânico à produção independente, abrindo oportunidades para todos e possibilitando mais rápida renovação na grade. Quando o dinheiro é do Estado brasileiro precisamos obedecer regras e normas públicas. Tivemos que ajustar nosso relacionamento às exigências da lei.
Tereza Cruvinel
Depois da exposição dos dirigentes da EBC, foi aberto o debate quando os produtores e cineastas fizeram suas indagações. O cineasta Roberto Farias reconheceu as dificuldades do setor público para dar segurança a todos, mesmo porque estão sujeitos à legislação específica. Segundo ele, será praticamente impossível atender “a todo mundo”.
Não sei como vocês vão fazer. Mas precisam se preparar para levar cacetada pois não vão conseguir contentar muita gente.
Avaliou Roberto Farias, arrancando risos dos colegas
E enfatizou: “Desejo o maior êxito a vocês. Acho um trabalho dificílimo e é preciso fazer um exercício para entender a complexidade do trabalho de vocês. Ao mesmo tempo pediu pressa: - Se andarem rápido vão apaziguar um monte de gente” – avaliou.
E quando Paulo Rufino reafirmou que os editais sairão logo, o cineasta completou:
Assim vocês começam a dar trabalho para todos.
Roberto Farias
O cineasta Silvio Tendler pediu esclarecimentos sobre o tipo de programa que estará em demanda. A vice-presidente da Associação das Produtoras Brasileiras de Audiovisual ( APBA), Clélia Bessa, perguntou sobre os preços que serão pagos, ao que Tereza Cruvinel garantiu que, de modo algum, ficarão abaixo dos preços de mercado.
Paloma Rocha pediu informações sobre as contratações já encaminhadas para a diretoria de produções antes da mudança do titular. Os dirigentes da EBC asseguraram que os contratos assinados serão honrados e que as propostas já encaminhadas serão analisadas, levando em conta a realidade orçamentária. A EBC sofreu cortes que agora estão sendo renegociados com a área econômica do Governo.
O vice-presidente da Associação dos Produtores do Norte e Nordeste, Wolney Oliveira, quis saber como vai funcionar a co-produção e pediu esclarecimentos sobre as parcerias com os festivais de cinema. Segundo Tereza, a co-produção é praticada na TV Brasil mas que as mudanças na equipe têm outros objetivos.
Não queremos as relações interpessoais interferindo nas profissionais.
Tereza Cruvinel
Roberto Farias sugeriu a criação de um fundo destinado à co-produção, o que já acontece em outros países. “Com a garantia de exibição fica mais fácil a produção”, completou. Tereza, prometendo examinar a proposta com atenção e buscar mais detalhes, posteriormente. Apesar da pressão dos produtores para que fossem apresentados os temas dos primeiros “pitchings”, Roberto Faustino antecipou apenas que um será sobre meio ambiente e sustentabilidade e Tereza falou da necessidade de um programa voltada para os jovens. A direção da EBC considerou o encontro muito positivo e espera, em breve, começar a implementar o que ali foi discutido e combinado, como o lançamento dos primeiros editais.
Participaram do encontro as seguintes entidades: ABCA - Associação Brasileira do Cinema de Animação, ABC – Associação Brasileira de Cinematografia, ABPITV - Associação Brasileira de Produtores Independentes de TV, ABRACI – Associação Brasileira de Cineastas, APACI – Associação Paulista de Cineastas, APBA - Associação das Produtoras Brasileira de Audiovisual, APBA-Sul - Associação das Produtoras Brasileira de Audiovisual – Sul, ABPA-PE - Associação das Produtoras Brasileira de Audiovisual – PE, CBC – Congresso Brasileiro de Cinema, Festival Recife, Instituto Cultural Cinema Brasil , Coalizão pela Diversidade Cultural, ABA do Sul e Associação de Produtores do Norte e Nordeste e Pontos de Cultura.
Departamento de Comunicação Social e Marketing