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DOCTV promove Oficina para Desenvolvimento de Projetos com grandes documentaristas brasileiros


Entre os orientadores estão Jean-Claude Bernardet e Eduardo Escorel, que discutirão os projetos selecionados com cada um dos 35 vencedores do DOCTV IV

O Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro (DOCTV IV), promove entre os dias 9 e 15 de setembro de 2008, em Brasília, a Oficina para Desenvolvimento de Projetos. O evento reúne os 35 autores dos projetos de documentário selecionados nos Concursos Estaduais DOCTV IV com cinco expoentes da produção e pensamento audiovisual. Os convidados desta edição são Jean-Claude Bernardet, Eduardo Escorel, Felipe Lacerda, Cristiana Grumbach e Cezar Migliorin.

O objetivo é promover a discussão entre os autores e os orientadores convidados para o aperfeiçoamento dos projetos de documentário, antes do início da produção dos filmes. Essa iniciativa é parte das Ações de Formação iniciadas pelo Programa em 2004, na sua segunda edição. Os documentários das Carteiras DOCTV são resultado de um amplo processo composto por diferentes ações de formação que derivam da inédita aproximação de uma sistemática de co-produção ao debate estético do documentário.

No DOCTV II, III e IV foram realizadas 67 Oficinas para Formatação de Projetos, ministradas por documentaristas e pesquisadores e com a participação de mais de 2 mil realizadores de todo Brasil. Nas edições II e III, também foram realizadas duas Oficinas para Desenvolvimento de Projetos, ministradas pelos cineastas Geraldo Sarno, Eduardo Coutinho, Eduardo Escorel, Maurice Capovilla, Jorge Bodanzky, Giba Assis Brasil, Cristiana Grumbach, Ruy Guerra e Joel Pizzini.

Além das discussões em torno de cada projeto, os realizadores selecionados no DOCTV IV participarão de debates com os orientadores, a partir da exibição de documentários e, também, terão acesso a uma “mini-biblioteca” com livros sobre o tema para consulta. Todos os 35 projetos passarão pela consultoria de dois orientadores.

O Programa DOCTV é uma realização da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, da Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais (Abepec), da EBC-TV Brasil (Empresa Brasil de Comunicação) e da TV Cultura (Fundação Padre Anchieta), com o apoio da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas (ABD Nacional).

Saiba mais sobre os orientadores:

CEZAR MIGLIORIN

Editor de som e imagem responsável pela montagem de Carlota Joaquina (1995), de Carla Camurati, Brava Gente Brasileira (2000), de Lucia Murat, Me Erra! (2002), de Paola Barreto, e A Hora Marcada (2000), de Marcelo Taranto, este último em parceria com Ricardo Mehedeff. Alterna a atividade de montador com a de editor de som, função que exerceu em filmes como Baile perfumado (1998), de Lirio Ferreira e Paulo Caldas, Como Ser Solteiro (1998), de Rosane Svartman, O Quatrilho (1996), de Fábio Barreto, e Tieta do Agreste (1997), de Carlos Diegues. Fez também a montagem de curtas-metragens como Nelson Sargento, de Estevão Ciavatta, vencedor do prêmio de melhor montagem no Festival de Gramado e no RioCine, e Dois Numa Noite de Chuva, de Miguel Pzewodowski. Desde 2001, ministra aulas em universidades, tendo passagens pela Estácio de Sá (Rio de Janeiro), Unisul (SC), PUC-Rio e UFF. Dirigiu os curtas Ação e Dispersão (2002), O Esquecimento (2004) e Meu Nome é Paulo Leminski (2004). No momento finaliza pesquisa de doutorado em co-tutela entre a Eco-UFRJ e a Sorbonne Nouvelle- Paris, em que desenvolve pesquisa sobre modos de individuação e política nas imagens contemporâneas do documentário na primeira pessoa.

FELIPE LACERDA

Editor carioca com grande atividade desde 1995, quando editou Terra Estrangeira (1995), de Walter Salles e Daniela Thomas. Em 1996, montou os curtas Pão de Açúcar, ficção de João Emanuel Carneiro, e Socorro Nobre, de Walter Salles, que levou o prêmio de melhor documentário no Festival do Chile. Com Isabelle Rathery dividiu o trabalho de montagem de Central do Brasil (1998), de Walter Salles. Em seguida voltou a trabalhar para Walter Salles e Daniela Thomas em O Primeiro Dia (1999). Carioca nascido em 1969, formou-se em jornalismo pela PUC-Rio e estudou cinema na New York Film Academy. Montou a abertura de Como Nascem os Anjos (1996), de Murilo Salles, o documentário O Sonho de Rose, Dez Anos Depois... (2000), de Tetê Moraes, e a ficção A Partilha (2001), de Daniel Filho, entre outros. Para a VideoFilmes, montou documentários como Passageiros (2001), de Dorrit Harazim e Izabel Jaguaribe, O Vale (2001), de Marcos Sá Correa e João Moreira Salles, e Nelson Freire (2003), de João Moreira Salles. Em 2002, montou o curta documentário Uma Pequena Mensagem do Brasil – ou a Saga de Castanha e Caju Contra o Encouraçado Titanic, também de Daniela Thomas e Walter Salles, além de ter editado e co-dirigido, com José Padilha, o documentário de longa-metragem Ônibus 174, selecionado para os festivais internacionais de Sundance, Roterdam e Toronto, recebeu o prêmio da crítica e o de melhor documentário no Festival do Rio BR. Montou ainda Sexo, Amor e Traição (2004), de Jorge Fernando, A Dona da História (2004), de Daniel Filho, Entreatos (2004), de João Moreira Salles, O Casamento de Romeu e Julieta (2005), de Bruno Barreto, Se Eu Fosse Você (2006), de Daniel Filho, e Anjos do Sol (2006), de Rudi Lagemann. Montou também os longas Muito Gelo e Dois Dedos D´água (2006) , de Daniel Filho, e Sexo com Amor? (2007), estréia de Wolf Maya na direção. Como diretor, editor e produtor, assinou a série de documentários Em Cuba, fruto de uma temporada sua no país. A série foi exibida em dez capítulos no Canal Brasil em 2007. Em 2008, estréia na TV Globo mais uma série de documentários, intitulada Na China.

EDUARDO ESCOREL

Cineasta que começou a trabalhar no meio cinematográfico aos 20 anos como assistente de direção de Joaquim Pedro de Andrade em O Padre e a Moça (1965). No ano seguinte, dirigiu com Júlio Bressane o documentário Bethânia Bem de Perto. Nascido em São Paulo, em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro nos anos 60, onde fez o curso de cinema promovido pela UNESCO e o Itamaraty e ministrado por Arne Sucksdorff em 1962 e graduou-se em ciências políticas e sociais na PUC. Para Joaquim Pedro, montou Macunaíma (1969), Os Inconfidentes (1971) e Guerra Conjugal (1974). Montou quatro filmes de Glauber Rocha - Terra em Transe (1966), O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), Der Leone Have Sept Cabeças (1970) e Cabeças Cortadas (1970) - além de ter trabalhado com outros diretores do Cinema Novo, como Leon Hirszman, em São Bernardo (1971) e Eles Não Usam Black Tie (1981). Em 1969, dirigiu o documentário de curta-metragem Visão de Juazeiro, e em 1976 fez seu primeiro longa, Lição de Amor, inspirado em Mário de Andrade. Como montador, atuou em diversos filmes de diferentes diretores e estilos, desde Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho, a Dois Perdidos Numa Noite Suja (2002), de José Joffily. Em 1980 dirigiu Ato de Violência (1980), baseado em uma história real, e em 1984, O Cavalinho Azul, adaptação da peça infantil de Maria Clara Machado. A partir da década de 90 deu novo fôlego à sua faceta de documentarista, com destaque para os filmes da trilogia histórica: 1930 - Tempo de Revolução (1990), 32 - A Guerra Civil (1993) e 35 - O Assalto ao Poder (2002). Montou ainda Achados e Perdidos (2005), de José Joffily. Em 2005, voltou à direção, em parceria com Joffily, no documentário Vocação do Poder, filme sobre a campanha eleitoral de seis candidatos a vereador no Rio de Janeiro. No mesmo ano, lançou o livro Adivinhadores de Água, com crônicas e ensaios seus sobre o cinema. Em 2007, lançou o documentário Deixa que Eu Falo, sobre a vida e obra do cineasta Leon Hirszman. Seus próximos projetos são (37-45), Os Golpes do Estado Novo e Falo de Coração, que retrata formas alternativas de atuação política no sertão nordestino. Em 2008, recebeu o Prêmio ABC, da Associação Brasileira de Cinematografia, pela edição do longa Santiago (2007), de João Moreira Salles.

CRISTIANA GRUMBACH

Carioca, formada em Comunicação pela PUC-Rio, teve grande experiência como assistente de direção e câmera de Eduardo Coutinho em filmes como Babilônia 2000 (2000), Edifício Master (2002), Peões (2004), O Fim e o Princípio (2005), e Jogo de Cena (2007), entre outros. Dirigiu o curta Maria de Todas as Horas (2004), ao lado de André Horta, e o média-metragem O Esôfago da Mesopotâmia, além de videoclipes. Sua estréia na direção de um longa-metragem foi em Morro da Conceição (2005), documentário sobre os moradores mais antigos de um morro histórico no centro do Rio de Janeiro.

JEAN-CLAUDE BERNARDET

Professor (hoje aposentado) do Departamento de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo desde 1967. Afastado pelo regime militar em 1969, retoma as atividades docentes em 1980. Ex-professor da UnB – Universidade de Brasília e da PUC/SP. Diplomado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris). Doutor em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Colaborador de diversos periódicos brasileiros, como O Estado de São Paulo, Última Hora, A Gazeta, Opinião, Filme Cultura, Folha de S. Paulo, além de diversas publicações européias e latino-americanas. É autor de ensaios sobre cinema publicados, entre eles: Brasil em Tempo de Cinema (primeira edição, 1967; segunda edição, 1976); Trajetória Crítica (1978); Cinema Brasileiro: Propostas para uma História (1979); Cineastas e Imagens do Povo (primeira edição, 1985; segunda edição, 2003); O Autor no Cinema (1994); Historiografia Clássica do Cinema Brasileiro (1995); Caminhos de Kiarostami (2004). Também assina os roteiros cinematográficos: O Caso dos Irmãos Naves (em col. c/ o diretor Luis Sergio Person, 1967); Brasília: Contradições de uma Cidade Nova (em col. c/ o diretor Joaquim Pedro de Andrade, 1968); Um céu de estrelas (em col. c/ Roberto Moreira, 1995); Através da Janela (em col. c/ Fernando Bonassi e a diretora Tata Amaral, 1999). Como realizador assina os filmes: São Paulo Sinfonia e Cacofonia (1995); Sobre os Anos 60. Jean-Claude, também, colaborou com roteiros de outros diretores e atuou como ator em diversos filmes.

Saiba mais sobre o DOCTV:

O Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro (DOCTV) nasceu em 2003 como uma política da Secretaria do Audiovisual para a estruturação do setor voltado à produção de documentários e à TV Pública. O DOCTV atua em toda a cadeia produtiva do documentário (da formação, passando pela produção e difusão, até a comercialização), fomentando cada etapa e agindo de maneira a criar ambientes de mercado e profissionais no exercício desta atividade. Para isso, oferece uma série de oficinas organizadas para dar suporte aos processos, desde a elaboração do projeto a ser inscrito no concurso, passando pelo desenvolvimento de projetos e desenho de produção que serão realizados até a grade de difusão dos filmes em TV Pública aberta. Por conta dessa metodologia, nas três edições do DOCTV, nenhum filme deixou de ser realizado e exibido, pois o Programa atua em todas as fases de produção garantindo sua plena execução.

Outro importante objetivo do DOCTV é fomentar esta atividade em todo o Brasil garantindo uma produção regionalizada e a difusão do conteúdo de cada unidade federativa em âmbito nacional. Todos os estados da federação participam do Programa por meio de suas TVs ou Instituições Públicas em associação com as representações estaduais da produção independente. Os filmes são produzidos por empresas produtoras locais e expressam a visão original de seus realizadores a partir de processos contemporâneos em seus estados. Isso também promove a efetiva descentralização de recursos financeiros para as 27 unidades federativas do país, com investimentos do Ministério da Cultura e das TVs e Instituições Públicas estaduais participantes.

Os recursos que viabilizaram as três primeiras edições do DOCTV foram oriundos do Fundo Nacional de Cultura e das TVs e Instituições Públicas co-realizadoras do Programa, e articulados por meio de convênio firmado entre o Ministério da Cultura, Associação Brasileira de Emissoras Públicas Educativas e Culturais – ABEPEC e Fundação Padre Anchieta – TV Cultura, sempre com o apoio da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas – ABD.

O DOCTV teve em suas 3 primeiras edições 2.310 projetos de documentário inscritos em 74 concursos estaduais, tendo co-produzido 115 documentários e gerado mais de 3 mil horas de programação para a Rede Pública de Televisão.

Nestes três anos, foram realizadas, também, 44 Oficinas para Formatação de Projetos com a participação de 1.333 realizadores de todo Brasil, e duas Oficinas para Desenvolvimento de Projetos, nas edições II e III do DOCTV, reunindo os 70 autores de projetos selecionados com expoentes do documentário brasileiro, como Eduardo Coutinho, Eduardo Escorel, Maurice Capovilla, Geraldo Sarno, Jorge Bodanzky, Ruy Guerra, Giba Assis Brasil, Joel Pizzini e Cristiana Grumbach para a discussão detalhada de cada projeto.

A partir da segunda edição do Programa DOCTV, foram realizadas também as chamadas Carteiras Especiais, com documentários viabilizados a partir da articulação de recursos financeiros de empresas do setor público e/ou privado, em um determinado estado ou região do Brasil, para produzir mais filmes que os já garantidos pelo Convênio MINC/FNC. Ao todo foram co-produzidos 19 documentários pelas Carteiras Especiais DOCTV SP I, DOCTV DF I, DOCTV PI, DOCTV Alagoas Em Cena, DOCTV Goyaz, DOCTV DF II, DOCTV MG, DOCTV SP II. Esse modelo de negócio atraiu R$ 1, 9 milhão em investimentos diretos na produção audiovisual brasileira.

Em 2006, os 61 documentários das Séries DOCTV I e II foram lançados em DVD Home Video, em ação pioneira desenvolvida pela TV Cultura, por meio da Cultura Marcas e Log On Editora Multimídia, e Coordenação Executiva do DOCTV.

Os filmes do DOCTV participaram de diversos festivais dedicados ao documentário no Brasil e exterior como o É Tudo Verdade (onde o filme Elevado 3.5 venceu a competição nacional na Edição 2007), Locarno (Handerson e as Horas e Acidente), Biarritz (Do Lado de Fora), Sundance (Acidente), Edoc, (Violência S.A.).

Também em 2006, o Programa DOCTV tornou-se modelo de política pública para o setor e foi inspiração para a criação de um Programa análogo internacional, o DOCTV IBERO-AMÉRICA. A partir do pleito da Comunidade Cinematográfica Ibero-americana à Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, o DOCTV IB implantou sua sistemática de co-produção e teledifusão de documentários em 13 países latino-americanos, além de Portugal e Espanha. Outros desdobramentos são os processos de implantação dos Programas DOCTV México, DOCTV Colômbia e DOCTV Cinergia (América Central) e DOCTV CPLP (Comunidade dos Países de língua Portuguesa).

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