Comentário Geral volta ao ar repaginado

Publicado em 12 de abril de 2010

A revista eletrônica semanal, que está no ar desde junho de 2002, completa 8 anos mais madura e com mais conteúdo. O Comentário Geral reestreia no dia 21 de abril, quarta-feira, às 19h30, reformulado. A nova versão traz uma dupla no comando do programa: Luiza Sarmento divide o palco com o jovem pernambucano Renato Goes. “Queria muito trabalhar nesse programa pela consistência que tem. Ele aborda os mais variados temas. E um tema não é tratado só por um sentido, e sim em todos os sentidos", afirmou o novo apresentador.

Renato Góes e  Luiza Sarmento
Comentário Geral agora é apresentado por Renato Goes e Luiza Sarmento

A cada semana o Comentário Geral escolhe uma palavra e vai buscar os seus múltiplos significados. Com muito bom humor, os apresentadores brincam com os conceitos subjetivos de cada  tema de maneira dinâmica. “Estamos com uma linguagem mais jovem - e entenda esse jovem não como adolescentes, mas como um jovem atual, contemporâneo. Perdemos aquela cara do programa de 'ólogos', psicólogos, sociólogos”, continua Luiza.

Artistas, músicos, jornalistas e personalidades são convidados para falar sobre todas as vertentes das palavras com uma abordagem atual. Para complementar, frases de escritores, pensadores e clipes alinhavam todo o conteúdo. Além da participação de pessoas comuns que não deixam de dar sua opinião.

O cenário ganhou mais espaço e versatilidade para receber convidados no estúdio que acrescentam uma nova ótica ao programa. “Utilizamos um conceito abstrato para construir o novo cenário. Ele é modular e temos um palco disponível para as atrações musicais”, lembra Marcus Vinícius, coordenador artístico. Toda a identidade visual foi redesenhada e uma nova trilha original, composta por Milton Cardoso, integra a abertura.

Raimundos
Raimundos: Canisso, Tico Santa Cruz e Digão participam do Comentário Geral

Na estreia, uma homenagem aos 50 anos de Brasília. Luiza Sarmento e Renato Góes recebem no estúdio o músico Dado Villa-Lobos, ex-integrante do grupo Legião Urbana. Também formada em Brasília, a banda Raimundos participa do programa e fala da relação com sua terra natal. A cidade ainda foi o palco do lançamento da cantora Tânia Mara que dá seu depoimento para esta edição.

Da capital brasileira, a Cia Os Melhores do Mundo dá o tom de comédia que a cidade tem Já o rapper Gog fala sobre as periferias e os brasilienses. Ainda na cena musical, o grupo In Natura conta como encontra a natureza no meio da cidade planejada.

O programa também traz trechos do filme Brasília 18 %, de Nelson Pereira dos Santos. E o jornalista Geneton Moraesos revela os segredos dos presidentes.


ENTREVISTA COM OS APRESENTADORES

Luiza Sarmento, a primeira apresentadora do programa, conta como é estar de volta e revela as novidades da nova temporada.

Luiza Sarmento
Luiza Sarmento, apresentadora do Comentário Geral

TV Brasil: Quando você começou no Comentário Geral?

Luiza Sarmento: Eu entrei na emissora em 2000, na época da TVE Brasil e, em 2002, o Comentário nasceu. Fui chamada pelo Paulo Dionísio, que era o antigo diretor junto com o Miguel Paiva. O Miguel trouxe o Michel Melamed. O programa começou com nós dois apresentando e tinha uma cara completamente diferente do que fazemos hoje. Era voltado para um público mais adulto. Migrei de um público jovem, eu apresentava o “Divetrix”, para o público do Comentário Geral.

TV Brasil: O que acha da renovação do programa?

Luiza: Comentário sempre foi um programa do qual eu morro de ciúmes. Da equipe antiga, eu sou a única remanescente. E esse renascimento do Comentário Geral, as novidades, a linguagem nova, fazem com que eu me aproprie ainda mais do programa. Eu estou em casa, me sinto absolutamente confortável. É um programa que eu conheço, apesar de ter mudado bastante. Antigamente ele tinha uma hora, tinha comentaristas fixos, e hoje é uma nova dinâmica.

TV Brasil: Quais são as mudanças na nova temporada?

Luiza: Temos um convidado no estúdio, não temos mais comentaristas fixos, nem quadros fixos, como era antigamente. Agora deixamos que o tema proponha a abordagem. Perdemos aquela cara do programa de “ólogos”, opiniões de psicólogos, de sociólogos. A gente quer mudar essa imagem para uma mais atual, sem ser necessariamente um programa de atualidades, mas antenado.

TV Brasil: Qual é o novo foco do programa em relação ao público-alvo?

Luiza: Estamos com uma linguagem mais jovem - e entenda esse jovem como um jovem atual, contemporâneo. Um jovem adulto a partir de 20 anos até os 40. Estamos tentando cativar essa faixa, pois os adultos conhecem a TV Brasil. Já os jovens têm muita opção de canais de televisão aberta, fechada e internet. Por isso queremos falar sobre coisas interessantes, sem perder uma linguagem jovial. Conseguir comunicar, entrar no universo do jovem. Por exemplo, estamos produzindo um programa incrível sobre língua. Mas isso é atraente para o jovem? A linguagem, a gente está no mundo da globalização, a gente tem uma procriação de palavras estrangeiras, a gente tem a linguagem de computador, internet, tem a linguagem do corpo, tem tantas formas de comunicação. A gente tem que entender a cabeça de quem tá vendo a gente, e o que aquela pessoa gostaria de ver. Esse é o enfoque.

TV Brasil: Como os temas são escolhidos?

Luiza: Podem ser temas oportunos do momento. Por exemplo, a Copa do Mundo. Ou temas que podem ter desdobramentos polêmicos como o Frio. Nesse tema não falamos só sobre o clima mas também sobre a frigidez. O legal do programa é que temos esses adereços que dão uma cara descontraída, de quem quer falar sério, mas também não se envergonha de brincar, com bom humor e leveza. Brincar com a palavra e mexer nela de trás para frente, porém mantendo o conteúdo.

TV Brasil: Uma das grandes novidades é trazer o convidado para o estúdio. Como essa participação vai acontecer?

Luiza: Teremos um convidado no estúdio. Ele ajuda a comentar e dá algum relato. Acho que os telespectadores gostam de ver o seu artista dando um depoimento e falando sobre a sua vida. É uma oportunidade também de falar sobre temas polêmicos. Por exemplo, já estamos produzindo o programa sobre o Dia dos Namorados e vamos falar sobre o relacionamento homossexual. Vamos trazer uma personalidade para falar sobre o assunto, como é estar na mídia e bancar essa posição hoje em dia existe ainda muito preconceito. Queremos abordar também esses temas mais polêmicos.

TV Brasil: Outra novidade é a entrada de Renato Goes. Você já teve uma experiência parecida com o Michel Melamed. Como é trabalhar novamente em dupla?

Luiza: O trabalho em dupla é sempre um desafio. Porque ora você é pipa ora você é linha. Com o Michel eu aprendi muito. Ele foi um desafio, porque é muito eloquente e talentoso. Foi um desafio pois antes eu trabalhava sozinha. E é complicado, porque quando você está sozinha o espaço é teu, você faz o que você quiser. Quando você trabalha com outra pessoa você tem que ser generoso. Eu acredito muito nisso, eu acho que generosidade é a palavra-chave para um trabalho a dois, ou em grupo.

TV Brasil: Você saiu da emissora e agora está de volta. O que fez durante esse tempo?

Luiza: Eu fui para a TV JB, que foi um desastre. Em 2007, fui demitida da JB por telefone. Eu fiquei abalada durante alguns minutos e depois comecei a fazer planos como viajar de mochilão pelo mundo, só que uma semana depois já estava trabalhando na rádio Sul América Paradiso, no programa 'A Hora do Blush'. Foi uma experiência maravilhosa. Eu comecei aqui muito cedo, com 18 anos, e fiquei muito tempo no Comentário Geral. Como era um programa muito denso a minha imagem jovial não combinava muito com ele. Eu era reconhecida como menina TVE. No rádio eu deixei de ter imagem e passei a ter conceito. É bom voltar mais madura, tendo me apropriado de mim mesma.

TV Brasil: Para finalizar, qual é a sua expectativa para nova temporada?

Luiza: A expectativa é a melhor possível. Estamos muito animados. É uma responsabilidade muito grande pois todos querem ver o trabalho. Estou muito feliz. Adoro trabalhar e sou apaixonada pelo que faço.


Renato Goes divide o comando do programa com Luiza Sarmento

Renato Góes
Renato Goes, apresentador do Comentário Geral

Natural de Recife (PE), Renato traz um outro sotaque para a TV Brasil. Com 23 anos, ele estreia no Comentário Geral, ao lado de Luiza Sarmento. Em entrevista à TV Brasil, Renato fala sobre o processo de testes para o programa, sobre sua carreira e quais são suas expectativas para essa nova etapa da sua vida.

TV Brasil: Como foi o início da sua carreira de ator?

Renato Goes: Fiz a escola SESC de Artes em Pernambuco. Mas, na verdade, comecei desfilando como modelo, mesmo já fazendo teatro. Não havia nenhuma oportunidade como ator e os trabalhos como modelo me levaram para o palco. Depois de algum tempo surgiram algumas oportunidades, como workshops. Fui conhecendo pessoas, e encontrando um caminho como ator em Recife. É difícil, encontrar trabalho em Recife, mas esse ano o mercado cresceu muito. Em 2009 foi a cidade que teve mais filmes longas aprovados pela Lei Federal, mais do que Rio, mais do que São Paulo. Mas apesar disso, ainda não é rentável.


TV Brasil: Quando você veio para o Rio de Janeiro?

Renato: Eu vim para o Rio no final de 2005 para 2006, para passar 25 dias e fazer um curso. Não voltei mais. Apareceram umas pontinhas em dois filmes (Tropa de Elite e Polaróides Urbanas) e, ao invés de passar 25 dias, passei três meses. Depois voltei para Recife e retornei ao Rio para fazer “Pé na Jaca”, na Globo. Em seguida, fui para São Paulo, onde trabalhei em “Água na Boca”, da Band. E novamente voltei ao Rio e fiz “Cama de Gato”, também na Globo.


TV Brasil: Você atua na encenação da Paixão de Cristo, em Nova Jerusalém (PE), desde 2007. Como é a repercussão dessa peça na sua vida?

Renato: Em Recife, o que me deu visibilidade como ator foi a “Paixão de Cristo”, em que fiz o papel do apóstolo João. Nesses quatro anos, cada edição me trouxe uma coisa importante. Essa temporada acabou no sábado (3 de abril) e, na segunda, eu já estava aqui. A peça atrai coisas boas. São 16 dias, é uma encenação muito forte para todos os envolvidos, atores e público.. E as pessoas acompanham a sexta-feira da Paixão como se fosse uma missa. Você recebe uma carga de energia muito forte, que te renova, você sai de lá positivo.


TV Brasil: Como foram os testes para o programa?

Renato: Quando eu fiz o teste pela primeira vez eu pensava que não estava preparado para isso. Você tem que atuar, ter um controle jornalístico, um conhecimento geral apurado, ler o teleprompter e, ao mesmo tempo, conversar com a apresentadora e olhar para câmera quando estiver falando com o público. E eu estava competindo com candidatos que já tinham experiência em outras emissoras. Pensei “o que eu estou fazendo aqui”. Mas isso foi o que me fez ficar mais à vontade, porque eu não tinha nada a perder. A Luiza ( a apresentadora que fez o teste) também me deixou muito à vontade.


TV Brasil: Por que você resolveu se inscrever nos testes e como se preparou?

Renato: Eu estava com uma produtora aqui, com quem trabalhei no “Happy Hour”, do GNT. Ela sempre me indicava uns trabalhos aqui e ali Nos 16 dias entre a inscrição e o teste eu estudei muito me baseando no tema que me deram e em como eu achava que ia ser o programa. Achei que tinha timing para isso, uma coisa irreverente, de improviso. Quando eu fui fazer o teste achei que tinha muito a ver comigo, me empolguei muito, mesmo achando que não dava pra mim. Até acho que essa coisa de cara nova, de juventude me ajudou muito. Dá um ar diferente.

 

TV Brasil: Você trouxe mais um sotaque para emissora. O que você acha de representar Pernambuco em um emissora que preza a diversidade regional?

Renato: Eu tenho um registro do sotaque que eu não vou perder nunca, por mais que eu vá neutralizando. E eu acho sensacional a TV Brasil aceitar isso. Algumas pessoas já vieram conversar isso comigo e outras falaram que era até legal. E eu assumo sempre ser pernambucano. E isso abre caminho.

TV Brasil: E quais são suas expectativas para o futuro no Cometário Geral?

Renato: Esse é um novo começo, é uma nova linha de carreira, um espaço que se abre. E mesmo sendo novo, tudo que eu fiz, todos os cursos, perrengues, conversas, leituras, servem para o programa. Tudo vai ser colocado nele. Eu espero que seja um sucesso. Espero chegar ao nível da Luiza. Espero que seja realmente um início de uma carreira duradoura para mim. Agora eu só estou pensando nisso, estou apostando tudo aqui.

TV Brasil: Para finalizar, por que o público deve assistir ao programa?

Renato: Eu acho que todo mundo realmente deveria assistir. Às vezes as pessoas perguntam: “Qual o nome do programa?”, eu digo “Comentário Geral”, e as pessoas pensam “É sobre o que?”, eu respondo: “sobre tudo”. Então tem que assistir. São os mais variados temas. E a abordagem não se restringe só a um sentido da palavra, mas a palavra em todos os sentidos. Isso é sensacional.