Publicado em 12 de abril de 2010
Em 2008, após vasta pesquisa sobre a história da interiorização da capital da República, o diretor Pedro Jorge começou a trabalhar no projeto Brasília, um Sonho de Três Séculos. Agora, o material resultante dessa pesquisa e das filmagens, realizadas no Brasil, Espanha e Portugal, vira série de cinco episódios e estreia na TV Brasil no próximo dia 19 de abril, às 22h.

Flavia Neiva e Murilo Grossi, apresentadores da série 'Brasília, um sonho de três séculos'
Brasília, um Sonho de Três Séculos será apresentada por Murilo Grossi e Flavia Neiva e traz a história da transferência da capital do Rio de Janeiro para o Planalto Central. Aborda o período desde o Tratado de Tordesilhas até Brasília hoje.
A série documental conta com filmagens feitas em Tordesilhas, na Espanha, onde, no ano de 1494, foi assinado o Tratado. Já o Tratado de Madri foi firmado em 1740, no Palácio Real, que rompe com o assinado em 1494.
Em Portugal, o diretor Pedro Jorge recolheu depoimentos do Prof. Jorge Couto, uma autoridade nos estudos pré-Brasil. Com assessoria do historiador Jarbas Marques, a série ainda traz relatos da participação de Joaquim Nabuco no movimento de edificar no interior do país uma nova capital, as intenções do Marques de Pombal nesse mesmo movimento, a Conjuração Mineira, a comissão exploradora do Planalto Central, que teve como presidente o astrônomo Luiz Cruls, e o Golpe Militar.

Coronel Affonso Heliodor em gravação para a série 'Brasília, um sonho de três séculos'
Sinopses
As Origens do Sonho – O primeiro programa da série vai tratar das origens do sonho de construir a capital do Brasil na região do Planalto Central. Esse sonho começou com o que foi chamado de quinto império, imaginado pelos portugueses por volta de 1450. Seria a capital do grande império idealizado pelos portugueses.
O Movimento Mudancista - O jornalista Hipólito José da Costa funda o jornal Correio Braziliense em Londres e publica artigos defendendo a mudança da capital para o Planalto Central. Nesses artigos constam que, em junho de 1823, na Assembleia Geral Constituinte do Império do Brasil, José Bonifácio apresentou a necessidade de edificar no interior do país uma nova capital, à qual deu o nome de Brasília. Quem primeiro marcou a localização da nova capital foi o historiador Adolfo Varnhagen, em 1876. Com a Proclamação da República, o movimento mudancista renasce e a nova capital, em terras de Goiás, se torna uma determinação constitucional. Coube ao engenheiro e astrônomo belga, Luiz Cruls, diretor do observatório astronômico do Rio de Janeiro, organizar uma comissão exploradora para estudar e demarcar a área da nova capital.
A promessa de Juscelino Kubitschek - No século 20, um marco é erguido na cidade de Planaltina, no Planalto Central, em comemoração ao centenário da independência e indica a pedra fundamental de Brasília. O presidente Vargas conclama os brasileiros a realizar uma marcha para o oeste, criando a fundação Brasil Central. Em 1955, Juscelino Kubitschek, candidato à presidência da República, decide começar a campanha pela cidade de Jataí, em Goiás, e é surpreendido pelo advogado Antônio Soares Neto, que queria saber se o presidente iria cumprir a Constituição e mudar a capital do país para o centro-oeste.
A obra de mil dias - A proposta simples do projeto urbanístico de Lúcio Costa, com a forma de uma cruz rasgando o cerrado, convenceu a comissão julgadora do projeto para a nova capital. Arquitetura e urbanismo se uniram e Lúcio Costa e Oscar Niemeyer definiram assim o projeto da nova capital. Para Niemeyer, significa usar curvas, formas, tudo o que o concreto pode oferecer para ser moldado pelas mãos humanas. Os arcos do Alvorada mal tocavam o solo. Lúcio Costa democratiza os espaços residenciais. As superquadras são construídas com prédios separados por jardins. Muitos brasileiros vieram para a construção. No começo, eram mil operários, e, no final, sessenta mil, com o trabalho em três turnos, sob o comando de Israel Pinheiro. O presidente Juscelino Kubitschek saía do Catete no Rio para vir à Brasília ver as obras. Ninguém dormia, ele percorria os canteiros de madrugada, voltando de manhã ao trabalho no Rio.
A Brasília de Hoje - Brasília é hoje uma cidade moderna, vibrante, com qualidade de vida, que honra seus fundadores. Houve um tempo de silêncio, de dor, com o golpe militar de 64 e a cassação de JK. No enterro de JK havia mais gente para acompanhá-lo do que na inauguração da cidade. O presidente que deixou como legado a paz, o respeito à constituição e o amor à democracia. E o povo brasileiro fez de Brasília o palco das manifestações em favor da democracia, sonhou com a abertura política, gritou pelas eleições diretas e chorou a perda do presidente Tancredo Neves.
Ano: 2010
Gênero: Documentário
Duração: 05 episódios de 30 minutos cada
Direção: Pedro Jorge
Roteiro: Pedro Jorge e Célia Ladeira
Pesquisa: Pedro Jorge e Jarbas Marques
Música: Marcos Vinicius Fialho