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A Grande Música

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O programa

Assim como a literatura, o cinema, as artes plásticas ou qualquer outra manifestação artística, a música clássica é uma maneira de elaborar uma compreensão do mundo e, portanto, atende a uma necessidade social.

Que o digam as produções extensas da música de concerto no Brasil e os diversos projetos sociais que se valem da música clássica na tentativa de transformar a realidade de jovens que vivem em comunidades carentes.

Uma TV Pública, como não poderia deixar de ser, também tem que dar voz a essa manifestação cultural. José Schiller, maestro-apresentador do programa A Grande Música e há 30 anos trabalhando na TV Brasil vê nesse papel “fundamental” da TV Pública a “missão de promover a cultura, mostrando a música como exercício de cidadania”.

O estigma de música chata, para eruditos e qualquer outro rótulo que transforme a música de concerto em sinônimo de música para poucos faz Schiller virar a cara: “Isso é um equívoco, não devemos subestimar o público. Ele tem condições de gostar, de se interessar por música clássica.”

Para respaldar sua opinião, relata um caso curioso: certa vez, no aeroporto, um homem chegou perto dele para dizer que adorava o programa, adorava música clássica. Quando o maestro perguntou o que ele fazia, o homem respondeu que era sambista! Quer dizer, uma coisa não exclui a outra. O fato de se gostar de músicas populares não implica desgostar das de concerto, menos conhecidas. “O programa tem retorno de classes sociais diferentes, idades distintas e escolaridades díspares. Existe uma potencialidade de público para a música clássica”, conclui o raciocínio.

Apesar da potencialidade de público, não existem programas dedicados ao tema na TV aberta comercial. “Ao não divulgar, se nega o acesso a informação”, opina. Nesse caso, entretanto, é preciso considerar outras questões. “O que determina uma grade? Mas, será que o que determina a grade é o melhor para o povo? Você tem a música popular de mercado e a música de concerto. Essa, mesmo que não tenha um mercado amplo, tem relevância para a efervescência cultural. Ao não divulgar, se nega o acesso a informação. A mesma coisa acontece com o cinema nacional: não tem o público de um blockbuster norte-americano, mas ninguém em sã consciência vai dizer que não se deve fazer cinema no Brasil. A sétima arte tem uma importância social que não pode ser medida pelo mercado”, avalia o maestro.

Nesse sentido, a divulgação da música clássica na Grande Música tem contribuído para que outras pessoas conheçam o gênero. Schiller narra o episódio Armando Prazeres, na época maestro da Orquestra Petrobrás, chamada para se apresentar fora do Rio de Janeiro porque tinha aparecido no programa. Assim, a TV ajudou a levar a música clássica para novos horizontes.

Outra preocupação de Schiller é transpor o concerto para a TV, já que as linguagens são diferentes. “É complicado. Você precisa de várias câmeras em diferentes lugares, com um posicionamento adequado e nem sempre isso é possível. Por exemplo, num concerto aberto ao público, você, obviamente, não vai colocar uma câmera na frente da plateia. O equipamento tem que ficar mais para o canto, em um lugar que não atrapalhe muito. Além disso é preciso que boas máquinas, que capturem o som com qualidade. Com relação enquadramento, procuramos mostrar imagens que realcem a música, para que o público possa compreender o que acontece. Tentamos mostrar a magia do momento usando a informação musical mais expressiva (por exemplo, um corte na partitura).

Equipe

Direção Gustavo Lopes
Direção geral, apresentação e comentários Maestro José Schiller

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